Tudo estava dando errado para o Egito (para todo o mundo, aliás) em 2020, com a pandemia grassando e a indústria do turismo, motor da economia do país, paralisada. Aí veio a ótima notícia: um grupo de pesquisadores egípcios anunciou no fim de setembro a extraordinária descoberta, de uma só vez, de 59 sarcófagos de mais de 2 500 anos. O tesouro abrilhantará o que se antecipa como morada de um dos mais ricos acervos arqueológicos do mundo, o Grande Museu Egípcio (GEM), plantado bem na região das pirâmides e que, depois de anos de idas e vindas, está em fase final de construção.

O destino dos sarcófagos, o novíssimo GEM, tem inauguração prevista para meados de 2021, mais de cinco anos depois da data original. Maior museu arqueológico do mundo, o moderno prédio de concreto e vidro e arquitetura refinada tem o tamanho de quatro campos de futebol e vista para as famosas pirâmides. A obra faraônica, custou mais de 1 bilhão de dólares. Além das peças expostas hoje em dia no congestionado Museu Egípcio do Cairo, o novo edifício exibirá cerca de 20 000 itens nunca expostos ao público, muitos deles da coleção do faraó Tutancâmon, pela primeira vez reunidos. Além de uma réplica detalhada da tumba encontrada no Vale dos Reis, em Luxor, o museu ganhou a guarda do dourado sarcófago externo do faraó, já transferido para suas dependências. A mudança da múmia, no entanto, foi alvo de protestos e ela permanecerá onde foi achada.


Um dos maiores salões foi erguido em torno da gigantesca estátua de Ramsés II, de 3 200 anos, 11 metros de altura e mais de 80 toneladas — primeiro, a escultura foi instalada no local, depois as paredes foram levantadas a sua volta. “O Grande Museu Egípcio trará benefícios não só para os turistas, mas também para as antiguidades, conservadas de acordo com as técnicas mais modernas”, afirma Laurel Bestock, arqueóloga da Universidade Brown, em Rhode Island. A expec­tativa é de que a atração receba 5 milhões de visitantes por ano (o equivalente, por exemplo, ao público da galeria londrina Tate Modern) e ajude a tapar parte dos buracos abertos no turismo egípcio nos últimos tempos.

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