"Tudo bem não ser normal” ou apenas o melhor dorama que eu assisti em 2020. É uma história de 16 episódios da TVN, transmitida pela Netflix, sobre uma escritora de contos de fadas extremamente rude e egoísta que cruza o caminho de um gentil e retraído (porém extremamente gato) cuidador que trabalha em um hospital psiquiátrico.

Este meus caros, não é apenas um dorama com a premissa de história de amor, é uma fábula de aceitação e empatia, ele propõe que não há problema algum em ser diferente, que o preço do que geralmente é considerado “ser normal” é a dor. Todos têm marcas profundas escondidas que se mostram em suas ações no presente, muitas vezes nos prendendo no passado, mas a história mostra que não precisamos viver assim, não precisamos viver pra sempre com o peso do passado. Sim, é tudo isso que esse kdrama disfarçado de comédia romântica com aquele toque de sarcasmo e com protagonistas extremamente fortes (e lindos né, fala sério!) nos trás. 


Primeiras impressões 

Para não ser redundante e acabar falando sobre as mesmas coisas vamos a edição, essa meus queridos me deixou de boca aberta, o esforço visível de fazer da história uma obra sensorial me encantou completamente. O que eu não sabia é que os enquadramentos também contavam uma história particular muito interessante. Pra resumir o trabalho técnico já é impressionante logo nos primeiros episódios, com cenas esteticamente mágicas e figurinos extravagantes e não bastasse o visual te ganhar a sonoridade dos episódios é simplesmente apaixonante (sem palavras pra descrever a voz incrível da protagonista).


Elenco 

Todos os personagens recebem um grau de desenvolvimento que merecia ser comentado. Até mesmo as participações especiais têm uma mensagem para passar, algo que complementa a história e trás uma beleza sem igual a ela. Há presenças mais secundárias, como o papel da Jang Gyuri, como enfermeira, mas em geral, eu diria que a grande maioria dos personagens que aparecem ganham cores e falas que desenvolvem algo profundo na trama. É incrível como se sente que há uma razão para a presença de cada um dos personagem nas cenas. Mesmo que por um curto período de tempo, você o vê desabrochando com o passar da história. 

O casal de protagonistas tem uma química simplesmente eletrizante, de levanta os pelos do braço e fazendo com que você sinta a emoção exata de cada momento, alguns bem danadinhos diga-se de passagem. Seo Ye Ji é uma famosa escritora de contos de fada infantil que só contrario do estereótipo que se espera é a filha de uma bruxa má, o mal por trás de seus contos. É ela quem comanda, quem da a segurança e quem assedia o protagonista logo de cara. A ideia era mostrar que uma mulher também poderia muito bem ser “um macho escroto”. Embora muito poderosa e sensacional em vários aspectos, Ko Moon Young é cheia de defeitos, e esses defeitos são trabalhados durante a trama. No entanto, para os que acreditavam que ela fosse ser simplesmente a megera que seria salva pelo beijo do protagonista, surpreenderam- se com a troca que existe entre os personagens. Os dois de certa forma tentam salvar um ao outro. Fica claro que ambos estão numa busca constante pela evolução de quem são e que para isso não existe solução mágica. Kim Soo Hyun, vem com um olhar honesto, trazendo emoção até mesmo as cenas onde não há uma única fala. Ele da vida a Moon Gang-Tae, um cuidador que desde criança vive a dedicar-se aos outros, mas por causa disso esquece de respeitar o seu próprio desejo, apagando assim a chama de seu coração. Acredito que esse personagem vem com o estereótipo da mocinha boa com coração puro, o mocinho bonzinho e estranho da vila extremamente dedicado e inteligente, mas que esconde suas emoções em um poço extremamente fundo e na realidade não é o que as pessoas pensam ser. É apenas mais um ser humano cheio de defeitos e até mesmo algumas hipocrisias. Ok chegamos no cristalizando da série Oh Jung Se. Que atuação incrível! Sem ele, o drama perderia um terço de seu encanto. Ele dá vida ao Sang Tae, um homem de quase 40 anos com autismo, que foi cuidado por seu irmão mais novo após a morte trágica de sua mãe. Ele carrega um trauma muito grande que o faz ter medo de borboletas (vocês entenderão no decorrer da história). É o personagem mais honesto e de coração puro que já vi em qualquer história, ele com seu jeito meio “sem filtro” carrega certa ingenuidade e nos surpreende com sua sabedoria. São inúmeros os momentos nos quais ele está dizendo algo simples, durante uma brincadeira qualquer que acaa por resolver um dilema cheio de paradigmas de outros personagens que cuidam dele demoram uma eternidade para entender. É sem duvida o melhor personagem da série, Sang-tae não é tratado como elemento cômico, mas sim com extrema sensibilidade, nos trazendo ensinamentos valiosos. Também temos os pacientes do hospital psiquiátrico, os enfermeiros, o editor, a amiga do Gang-Tae e sua mãe. Todos têm um lugarzinho muito especial no desenrolar da história, com personalidades e defeitos fazendo com que nós o público possamos nos sentir acolhidos. 


Trama e ritmo

Vários estereótipos são colocados por aqui de uma maneira surpreendente ou agradavelmente esperada. É como um conto de fadas dos irmãos Grimm transportado para a atualidade. 

A história te ganha a cada episódio e não preciso nem falar que estou simplesmente apaixonada por ela. 

Existe um mistério que envolve os passados dos personagens que de forma geral foi muito bem desenvolvido nesse kdrama, apesar de algumas perguntas ficarem sem resposta. Como um dorama psicológico com um misto de comédia romântica, o suspense muito acima da média na entrega do suspense. “Tudo bem Não ser Normal” é pura poesia do início ao fim, todos os seus elementos são extremamente harmônicos fazendo com que nós o público fiquemos simplesmente apaixonados por cada um dos detalhes nele colocados. 


Conclusão 

Imperdível do primeiro ao último episódio. A trilha sonora, direção, escalação, atuação e tudo que compõe essa obra são perfeitos. A forma como nem todos os personagens terminam o drama tenham alcançado a evolução que queriam da um “ar” de vida real para o “final feliz”. Algumas pontas ficaram soltas mas de certa forma é compreensível já que são apenas 16 episódios. Será uma série muito difícil de ser copiada e tenho certeza que passarei um bom tempo procurando por uma obra tão singular quanto essa foi.  




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