Possuídos, apresenta de forma visceral a absorção da loucura e da personalidade de alguém enfermo da alma quando ao lado de outra pessoa. A loucura é contagiosa, ela é espírito, assim é definida por muitos especialistas. Quando alguém passa muito tempo ao lado de outra pessoa desequilibrada, acaba se contaminando, absorve seu peso, sua forma de enxergar o mundo. A loucura nos absorve, entorpece e é difícil se desvencilhar de ação. Ela se instala e recria cenários... ela se faz presente, se torna real... O que é real?! Podemos questionar isso ao final de Possuídos. O personagem Peter estava inventando tudo?! Tudo dito por ele fazia sentido. O que é a nossa realidade se não um conjunto de ações e pensamentos com sentido?!

O filme Psicose é um clássico e por isso é sempre mais complicado de estar tratando em uma análise, mas enquanto uma referência não poderia deixar de cita-lo sob esse aspecto. Norman assimila o comportamento de sua mãe vivendo em confinamento com ela. Sua realidades e ângulos se tornam um.


Em Possuídos, Agnes possui uma lacuna afetiva e possui latentememte a vontade de ser de alguém, compor o mundo de outra pessoa. Ela se deixa tomar por Peter e suas colocações, ela não o quer deixar ir. Sua carência faz com que ele seja a pessoa ideal porque ninguém consegue entrar em seu mundo e quando Agnes se entrega ela vê um mundo deles dois. Agnes enxerga em Peter um homem solitário, assim como ela até então e compra a ideia de um mundo particular, no qual o sentido é dado por eles dois, uma bolha.

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Em Psicose, o filme, Norman absorve o comportamento de sua mãe por ser censurado por ela a estar na companhia de outras mulheres e acaba reproduzindo o seu comportamento de forma homicida, ele não crítica como sua mãe, ele condena. Ele extravasa toda fantasia se vestindo como ela, falando igual. O que se é absorvido dentro de um cenário de loucura é sentido como real por quem vive com alguém que manifesta o comportamento doentio.


Todos nós se vivermos muito na presença de alguém desequilibrado somos passíveis de reproduzirmos determinados comportamentos hostis, aos poucos vamos deixando de ser quem somos porque a influência de alguém doente é imperativa. Um louco não deixa a sua loucura, mas contagia quem os cerca. Aos poucos somos absorvidos e não percebemos o reflexo disso no nosso comportamento. Aos poucos vamos perdendo nossa personalidade e nossas vidas vão tomando o contorno do "Dom Quixote".

Os ângulos da vida são questionáveis em como se apresentam mas isso pra nós mesmos e dentro de nossa particularidade, contudo não podemos nos deixar levar pelo mundo ou sentido dados pelo outro. Ainda que devaneios, sejam nossos devaneios nos quis encontramos nossa centralidade ou caminhos para uma nova percepção.

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