Um dos tormentos do Dean Winchester é ser somente o espelho de seu pai, daí o medo de ser rejeitado por ele, daí o cuidado com a família deixando a sua própria vida de lado. Existe um altruísmo acima de todas as suas vontades e implícitas em todas as suas atitudes que é a vontade de salvar vidas das sombras que ninguém conhece, mas há também suas dores, seus tormentos escondidos em seu inconsciente e quando surge a oportunidade eles se revelam. no EP 10 da 3° temporada Supernatural aborda o inconsciente do Dean Winchester projetados em seus pesadelos lúcidos.


Dean traz em si o medo da solidão, a crença de não ter sido devidamente cuidado por seu pai e ainda assim só se vê seguindo sendo como ele, um medo de não conseguir seguir sendo quem é, como é. Difícil de entender isso vindo de um personagem que encara os piores monstros, fantasmas, anjos e demônios. Mas a verdade é que todos nós nos encontramos em uma situação de vulnerabilidade como essa, nos questionamos e isso é projetado por nosso inconsciente. Os pesadelos aqui são como espelhos, precisamos nos encarar por mais desesperador que possa ser esse enfrentamento, o mais difícil é mesmo é essa insegurança, esse medo do íntimo ou que muitas vezes se esconde no nosso íntimo, a nossa fragilidade, entendermos que temos uma fragilidade.

Vivemos nos escondendo do que pode nos provocar dor, ninguém quer sofrer e por isso buscamos por nossos mecanismos de defesa para sobrevivermos a tantas decepções, frustrações, mas no final não há como fugir, não há como fugir para sempre a não ser que não se viva. Evitar a dor é de alguma forma evitar pulsar, evitar encarar os medos é de alguma maneira evitar evoluir, precisa doer para passarmos de fase. Após a exposição de seus medos neste EP, Dean Winchester vai deixando de usar a jaqueta de couro herdada de seu pai, ele se vê tendo que seguir sendo ele mesmo e não as projeções dele. Os medos são para serem superados.


Os pesadelos são nosso inconsciente se manifestando, uma parte de nós se manifestando, portanto não adianta fugir dos pesadelos em si, mas do que realmente nos transtorna. Enquanto não formos até a fonte ficaremos nesse looping de adiarmos aquilo que faz morada em nós e de alguma maneira, em algum momento irá nos alcançar. É difícil nos encararmos no espelho, porém necessário para seguirmos mais conscientes do que somos, de quem somos e convincente do que buscamos.

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