Um filme de Jim Jamurcsh, apresenta em 1h e 45 min, um enredo no qual a característica principal é a apatia total na cidadezinha de Centerville os mortos decidem não mais continuarem mortos e resolvem despertar de seus túmulos. Os moradores são tão pacatos  e ociosos que parecem não se espantarem com o dia interminável de sol. As crianças na detenção parecem ter uma maior consciência da situação do que o Xerife da cidade interpretado por Bill Murray, sem nenhum traço cômico tão marcante em suas atuações, ao lado do Adam Driver, deixando seu traço enfático de lado e adotando uma atitude completamente contemplativa durante todo o enredo, também só seguindo um roteiro no qual "não vai terminar bem". Rsrsrs.

A questão evidenciada é o comodismo posto nas cenas mais assustadoras e bizarras. Será que já estamos tão envolvidos com a ficção que não reconhecemos mais quando o bizarro acontece na nossa frente?!  O filme apresenta temas como racismo, violência e bullying totalmente a esmo e passiva em todas as cenas. O mundo parece tão estranho que o apresentado ali parece o roteiro da vida, nossa vida atual. Quando ligamos a TV tudo parece tão... Normal. Será que já nos acostumamos com a realidade brutal e cruel dos nossos dias?!

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Os Mortos Não Morrem é uma produção Zumbi, subgênero do terror, que acaba deixando questões a partir da apatia muito bem empregada durante todo o filme. Seria o fim do mundo?! Engraçado que ficamos na expectativa de um grande desfecho o qual não acontece, mas não frustra. Consegue levar ao riso?! Há cenas engraçadas como zumbi querendo café na lanchonete depois de ter 'comido' uma pessoa, em outra cena a zumbi desperta pedido seu Chardonnay. Todos os absurdos são encarados com uma naturalidade extrema e tudo parece contentar os moradores, realmente é como em um filme que você já sabe o final, os atuantes são também telespectadores.


Possui referências a grandes filmes de terror como Bates Motel, o atendente da lojinha com a camiseta do Nosferatu e todo o jeito do Norman Bates. Referência também ao excêntrico diretor George Romero, sendo citado pelo carro em uma das cenas parecer ter seu estilo, ele foi o primeiro no sub gênero zumbi, tendo sido reverenciado e alcançado notoriedade com A Noite dos Mortos Vivos (1968). Desde então o tema vem sendo explorado desde um cômico muito bem elaborado até a escatologia, mas se mantendo dentro do proposto. Zumbi é uma proposta ousada. O filme parece uma homenagem deixada em aberto sobre as produções já realizadas. Há aqueles que apreciam a temática por sua irreverência ao tratar sobre a morte. 

Tilda Swinton e Danny Glover, este associado a franquia de filmes de ação como Máquina Mortífera (1989), compõe o elenco, contando com a participação de Selena Gomez. Grandes cenas sanguinolentas, mortos vivos caminhando sobre a terra e cabeças precisando serem cortadas, jovens mortos em um quarto de hotel e nada parece ser realmente assustador. Diálogos sem nenhuma expressão, não há exclamações no final das frases. Eles estão somente contando uma história, já são zumbis sem terem morrido.


Essa inexpressividade diante da vida vem sendo muito refletida, parece tudo tão rápido que nem chega a ser sentido, tudo tão descartável que simplesmente é deixado de lado. O acúmulo de informações é tão grande que não conseguimos mais filtrar o peso das histórias e seus significados na construção do mundo, construção que tem se dado cada vez mais acelerada. Enquanto passivos e não refletimos sobre as notícias que nos chegam somos como zumbis, somente acompanhando os acontecimentos. Tem sido cada vez mais raro encontrarmos opiniões tidas através de um momento de introspecção, copiar e colar ficou muito fácil em tempos virtuais.  

No final, os sobreviventes parecem se dar conta dos acontecimentos e parecem sentirem-se incomodados pelos privilégios concedidos á aqueles que foram avisados sobre o desfecho,  uma alusão feita a aqueles que somente simulam alienação quando a situação estar a seu favor e nem esse sabe de todo o roteiro. O programado parece estar detido com quem não vive nesse mundo. falta de expressão nessa produção é a maior expressão enquanto convite para pensarmos em tudo o que temos acompanhado em nossos dias. Uma homenagem e um convite bem pertinente em um mundo no qual a indiferença parece ter tomado conta das passarelas da vida, debates em grupo, fóruns. Temos mais replicado concepções do que contribuindo de forma significativa para a construção do mundo dentro da nossa ótica pessoal.  


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